Morando em uma casa com mais seis pessoas, os momentos de solidão são como presentes inesperados e muito úteis. Como aquelas coisas que você coloca na sua lista de aquisições, mas que acaba ganhando antes mesmo de comprar. São como aqueles brinquedos novos da infância que você tem medo que um amiguinho venha a quebrar.
Vez por outra, ao ganhar esses presentes, eu me sinto medrosa. Tenho medo dos sons das coisas que anunciam pessoas. Temo o tic-tac do relógio dizendo que o tempo passa logo e pode trazer todo mundo de volta. Tenho medo do toque do telefone... que alguém ligue e se faça presente, mesmo sem estar, roubando minha solidão. Mas, mais que tudo, eu temo ouvir a campainha. É ela que faz os meus medos se tornarem reais. É ela que me tira de mim.
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